Sou uma girafa,
CUIDADO! Vou fazer xixi em você.
(Eu)
(Aquele
momento em que você – você, eu, eu, você – se pega atipicamente raciocinando
sobre coisas banais que não te levarão a lugar nenhum, mas que você tenta
formar um juízo de valores a respeito – como se fosse possível – daquele tema “tonto”,
que não se sabe o porquê das pessoas se digladiarem em rede social ...)
Em
uma manhã de terça-feira, rolando a timeline do meu facebook no celular, para
(como sempre) achar tudo o que publicam uma bosta (desculpem a sinceridade),
comecei a notar várias pessoas colocando fotos de girafas no perfil. Não muito
interessada, imaginei superficialmente que se tratava de um novo viral (óbvio),
os quais normalmente não costumo ser adepta (por extrema economia de tempo e
paciência – que me falta – sim, sou chata).
Passado
aquele dia, como sempre, “corrido”, naquele breve momento noturno em que você
deita na cama para relaxar antes ainda de dormir, voltei ao vício social (fb)
para rolar a mesma timeline e ter a mesma opinião de sempre. Só que nesse
momento, relaxada e de “peito aberto” (coisa incomum no meu caso), vi o tal do “desafio” da girafa. Li o texto e, sem sequer
iniciar uma análise de média profundidade sobre a questão que me era colocada
no momento (corroborado pelo cansaço e pressa em saber a resposta – dada a
minha eterna e imensa curiosidade), me submeti a “brincadeira” e respondi a
questão em “mensagem privada” (inbox) para a pessoa que estava propondo o “desafio”.
Eis a questão, para quem não tomou conhecimento:
“Mudei a minha foto de perfil do
Facebook para uma girafa. Eu tentei responder a uma charada e errei. E agora eu
te desafio!
Se você matar a charada, você mantém
a sua foto de perfil. Se errar, você tem que trocar sua foto por uma de girafa,
por 3 dias!
NÃO VALE RESPONDER NO FEED, TEM QUE
ENVIAR A RESPOSTA INBOX SENÃO VOCÊ ENTREGA A RESPOSTA DE BANDEJA E AI NÃO TEM
GRAÇA!
Esta é a charada: São 3 da manhã,
alguém bate na porta da frente e você acorda. Visitas inesperadas, são seus
pais e eles querem café da manhã. Você tem geleia de morango, mel, vinho, pão e
queijo. Qual a primeira coisa que você abre?
Lembre-se... a resposta tem que ser
enviada inbox... Se você acertar, eu comento aqui e coloco seu nome... Se
errar, você tem que trocar a foto do perfil... por uma Girafa!”
De
prontidão, “errei” a resposta. Respondi “a porta” e a pessoa me disse que seria
“o olho”.
No
momento, pela “sacada” da “pegadinha” pensei de forma simples “puxa vida, não é
que é verdade!?”... e (aderindo a proposta a qual me submeti) troquei minha
foto por uma girafa (bonitinha, por sinal) e compartilhei a “pegadinha”.
Pois
bem. Não passou sequer dez minutos da troca da foto (que por sinal achei graça na
brincadeira que me levou a descontrair um pouquinho) para ver na minha própria
TL (timeline) pessoas tóxicas criticando referido “viral” como se a troca da
foto do perfil alheio as prejudicassem, ou como se a pessoa ter aderido a
brincadeira fosse algo de uma burrice profunda...
Ao
ver as diversas reações provocadas pelo viral, comecei a pensar nas várias
vertentes, nas várias interpretações dadas à brincadeira, derivadas do íntimo
de cada pessoa.
Na
condição de ser social que aderiu a proposta (a brincadeira), pensei de
imediato: “como pode uma pessoa que no dia das crianças mudou a foto do perfil
para uma foto de sua infância, no intuito de socializar e “brincar” com a
ocasião, vir agora criticar outro viral de idêntica conotação social e, ainda
por cima, agredir verbalmente as pessoas que aderiram?”. Pensei ainda (entre
várias outras coisas), na falta de humor, de empatia e de tolerância (a mesma
tolerância que tive na época das fotos de criança) dessas pessoas.
Esse
imediatismo de opinião subverteu meu pensamento, levando-me a elucubrações (não
tão profundas como costumo fazer com outros temas, mas relevante, confesso) de
quão comumente julgamos os outros sem sequer adentrar no mérito da questão,
pela exata falta de interesse, empatia, tempo... pela superficialidade de
opinião; ou por simplesmente nos sentirmos superiores àqueles que gratuitamente
imputamos serem indignos de nossa aceitação.
A
questão realmente era (de início) óbvia. “Nossa, é claro que é o olho!” –
indago de imediato (seu burro – indaga você que “acertou”). MAS SERÁ QUE VOCÊ,
SER AUTO-INTITULADO “INTELIGENTE” (QUE “AAACERTOU” A QUESTÃO), REALMENTE A
ANALISOU PARA DIZER QUE A RESPOSTA É TÃO BINÁRIA ASSIM? É “o olho” mesmo?
Bom,
em que me pese ter colocado a girafinha lá no meu perfil (como já disse, pela “sacada”
da “brincadeira”), a resposta não está plenamente correta, não é tão “binária”
como os seres de “senso comum” interpretam ser, pois existe uma variável na
questão: o “você”.
Isso
mesmo! Veja:
“São 3 da manhã, alguém bate na porta
da frente e VOCÊ acorda [...]”
A
questão me condiciona a respondê-la como se fosse “eu” acordando, ou seja, cada
indivíduo que responde a questão; e cada indivíduo (na íntima unidade do seu ser) tem uma atitude
quando acorda, atitude esta que também pode variar dependendo do dia e demais condições
humanas, de tempo, entre outros. Assim, como respondi em um “post” no vicio
social (facebook) de um amigo, pode ser que eu acorde (ainda mais às três da
manhã como propõe a questão) e, ao invés de abrir “o olho” (resposta binária e
de senso comum) eu abra “a boca”. Simples assim. Bem como tem pessoas que podem
caminhar até a porta para atendê-la e sequer abrir os olhos, abrindo “a porta”,
como é o caso de outra amiga que li.
Assim,
a resposta do ser que “se achou o tal” cai por terra e se torna de senso
comum.
Por
fim, das mais inúmeras opiniões que se formaram em torno de uma simples
brincadeira que se tornou um super viral dessa rede, subverte-se essa: Você
pode ser um mini-revoltado, ignorante e vilipendiar as pessoas que se submeteram
ao teste (seja por ter respondido “certo” – vide raciocínio anterior –, ou por
não ter aderido a brincadeira por “n” motivos de cunho pessoal) ou pode
aceitá-la passar, como todos os virais passam, sem expor a SUA burrice e
ignorância, a SUA falta de empatia, simpatia e tolerância. Pois ai sim, nesse
momento (e após breve, leve e lógico raciocínio – como o exposto) você estará
sendo a “ANTA” da brincadeira (vide comentários facebookianos* de “não deveria
colocar uma girafa, mas sim uma anta, pela resposta – não binária e de senso
comum //repete-se).
