quarta-feira, 30 de outubro de 2013

BREVE ANÁLISE SOCIAL INTERPRETATIVA – A FOTO DA GIRAFA NO FACEBOOK

Sou uma girafa, CUIDADO! Vou fazer xixi em você.
(Eu)

(Aquele momento em que você – você, eu, eu, você – se pega atipicamente raciocinando sobre coisas banais que não te levarão a lugar nenhum, mas que você tenta formar um juízo de valores a respeito – como se fosse possível – daquele tema “tonto”, que não se sabe o porquê das pessoas se digladiarem em rede social ...)

Em uma manhã de terça-feira, rolando a timeline do meu facebook no celular, para (como sempre) achar tudo o que publicam uma bosta (desculpem a sinceridade), comecei a notar várias pessoas colocando fotos de girafas no perfil. Não muito interessada, imaginei superficialmente que se tratava de um novo viral (óbvio), os quais normalmente não costumo ser adepta (por extrema economia de tempo e paciência – que me falta – sim, sou chata).

Passado aquele dia, como sempre, “corrido”, naquele breve momento noturno em que você deita na cama para relaxar antes ainda de dormir, voltei ao vício social (fb) para rolar a mesma timeline e ter a mesma opinião de sempre. Só que nesse momento, relaxada e de “peito aberto” (coisa incomum no meu caso), vi o tal do “desafio” da girafa. Li o texto e, sem sequer iniciar uma análise de média profundidade sobre a questão que me era colocada no momento (corroborado pelo cansaço e pressa em saber a resposta – dada a minha eterna e imensa curiosidade), me submeti a “brincadeira” e respondi a questão em “mensagem privada” (inbox) para a pessoa que estava propondo o “desafio”. Eis a questão, para quem não tomou conhecimento:

“Mudei a minha foto de perfil do Facebook para uma girafa. Eu tentei responder a uma charada e errei. E agora eu te desafio!
Se você matar a charada, você mantém a sua foto de perfil. Se errar, você tem que trocar sua foto por uma de girafa, por 3 dias!
NÃO VALE RESPONDER NO FEED, TEM QUE ENVIAR A RESPOSTA INBOX SENÃO VOCÊ ENTREGA A RESPOSTA DE BANDEJA E AI NÃO TEM GRAÇA!
Esta é a charada: São 3 da manhã, alguém bate na porta da frente e você acorda. Visitas inesperadas, são seus pais e eles querem café da manhã. Você tem geleia de morango, mel, vinho, pão e queijo. Qual a primeira coisa que você abre?
Lembre-se... a resposta tem que ser enviada inbox... Se você acertar, eu comento aqui e coloco seu nome... Se errar, você tem que trocar a foto do perfil... por uma Girafa!”

De prontidão, “errei” a resposta. Respondi “a porta” e a pessoa me disse que seria “o olho”.

No momento, pela “sacada” da “pegadinha” pensei de forma simples “puxa vida, não é que é verdade!?”... e (aderindo a proposta a qual me submeti) troquei minha foto por uma girafa (bonitinha, por sinal) e compartilhei a “pegadinha”.

Pois bem. Não passou sequer dez minutos da troca da foto (que por sinal achei graça na brincadeira que me levou a descontrair um pouquinho) para ver na minha própria TL (timeline) pessoas tóxicas criticando referido “viral” como se a troca da foto do perfil alheio as prejudicassem, ou como se a pessoa ter aderido a brincadeira fosse algo de uma burrice profunda...

Ao ver as diversas reações provocadas pelo viral, comecei a pensar nas várias vertentes, nas várias interpretações dadas à brincadeira, derivadas do íntimo de cada pessoa.

Na condição de ser social que aderiu a proposta (a brincadeira), pensei de imediato: “como pode uma pessoa que no dia das crianças mudou a foto do perfil para uma foto de sua infância, no intuito de socializar e “brincar” com a ocasião, vir agora criticar outro viral de idêntica conotação social e, ainda por cima, agredir verbalmente as pessoas que aderiram?”. Pensei ainda (entre várias outras coisas), na falta de humor, de empatia e de tolerância (a mesma tolerância que tive na época das fotos de criança) dessas pessoas.

Esse imediatismo de opinião subverteu meu pensamento, levando-me a elucubrações (não tão profundas como costumo fazer com outros temas, mas relevante, confesso) de quão comumente julgamos os outros sem sequer adentrar no mérito da questão, pela exata falta de interesse, empatia, tempo... pela superficialidade de opinião; ou por simplesmente nos sentirmos superiores àqueles que gratuitamente imputamos serem indignos de nossa aceitação.

A questão realmente era (de início) óbvia. “Nossa, é claro que é o olho!” – indago de imediato (seu burro – indaga você que “acertou”). MAS SERÁ QUE VOCÊ, SER AUTO-INTITULADO “INTELIGENTE” (QUE “AAACERTOU” A QUESTÃO), REALMENTE A ANALISOU PARA DIZER QUE A RESPOSTA É TÃO BINÁRIA ASSIM? É “o olho” mesmo?

Bom, em que me pese ter colocado a girafinha lá no meu perfil (como já disse, pela “sacada” da “brincadeira”), a resposta não está plenamente correta, não é tão “binária” como os seres de “senso comum” interpretam ser, pois existe uma variável na questão: o “você”.

Isso mesmo! Veja:

“São 3 da manhã, alguém bate na porta da frente e VOCÊ acorda [...]”

A questão me condiciona a respondê-la como se fosse “eu” acordando, ou seja, cada indivíduo que responde a questão; e cada indivíduo (na íntima unidade do seu ser) tem uma atitude quando acorda, atitude esta que também pode variar dependendo do dia e demais condições humanas, de tempo, entre outros. Assim, como respondi em um “post” no vicio social (facebook) de um amigo, pode ser que eu acorde (ainda mais às três da manhã como propõe a questão) e, ao invés de abrir “o olho” (resposta binária e de senso comum) eu abra “a boca”. Simples assim. Bem como tem pessoas que podem caminhar até a porta para atendê-la e sequer abrir os olhos, abrindo “a porta”, como é o caso de outra amiga que li.

Assim, a resposta do ser que “se achou o tal” cai por terra e se torna de senso comum.

Por fim, das mais inúmeras opiniões que se formaram em torno de uma simples brincadeira que se tornou um super viral dessa rede, subverte-se essa: Você pode ser um mini-revoltado, ignorante e vilipendiar as pessoas que se submeteram ao teste (seja por ter respondido “certo” – vide raciocínio anterior –, ou por não ter aderido a brincadeira por “n” motivos de cunho pessoal) ou pode aceitá-la passar, como todos os virais passam, sem expor a SUA burrice e ignorância, a SUA falta de empatia, simpatia e tolerância. Pois ai sim, nesse momento (e após breve, leve e lógico raciocínio – como o exposto) você estará sendo a “ANTA” da brincadeira (vide comentários facebookianos* de “não deveria colocar uma girafa, mas sim uma anta, pela resposta – não binária e de senso comum //repete-se).