A maior parte da população está exposta
a um grau elevado de escassez hídrica.
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI
“A água é determinante para o desenvolvimento econômico e social de qualquer comunidade, e sua escassez impõe fortes limites até mesmo para preservar condições que a sociedade já conquistou. Além de fundamental à vida e à manutenção das funções ecológicas, a gestão desse recurso natural envolve também grandes interesses econômicos na agricultura, na indústria, na geração de energia elétrica, entre outros e, em particular, no abastecimento público...” (Vicente Andreu Guillo, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas – ANA- Correio Popular de Campinas – “Uma Cantareira em sua vida” – 28/11/2010- E8).
Estabelecida pela ONU- Organização das Nações Unidas em 1992, o DIA MUNDIAL DA ÁGUA, que se comemora a 22 de março, revela-se numa data que assume, ano após ano, uma maior importância diante da gravidade que é a escassez do produto. Tanto que, os recursos hídricos e sua biodiversidade estão em crise, ameaçados pela ação humana. Cerca de 80% da população mundial está exposta a um grau elevado de escassez hídrica e 65% das espécies que vivem nos rios estão ameaçadas. Os maus tratos a estes – que historicamente ordenaram a ocupação humana – custam aos países US$ 500 bilhões por ano em ações para remediar o problema.
Essas são as conclusões do mais amplo estudo realizado sobre a situação deles e das bacias hidrográficas no mundo, publicado na edição da revista científica Nature que circulou em 30 de setembro de 2010. O trabalho foi conduzido por especialistas da Universidade da Cidade de Nova York e da Universidade de Wisconsin, além de sete outras instituições e pode ser consultado no site “riverthreat.net.”.
“Os rios de todo o mundo estão realmente em crise, tanto nos países ricos e industrializados quanto nos países em desenvolvimento”, afirmou Peter McIntre, professor de zoologia da Universidade de Wisconsin e um dos autores da pesquisa, em reportagem publicada pelo jornal “O Estado de São Paulo” (30/09/2010- p. A32 –“65% da biodiversidade dos rios está ameaçada – Andrea Vialli) que ainda apontou: “Segurança hídrica: Cerca de 3,4 bilhões de pessoas nos países em desenvolvimento estão sujeitas a escassez de água em razão do mau uso dos rios, como a construção excessiva de barragens e hidrelétricas. Biodiversidade: Os seres vivos que habitam os rios, de micro-organismos a peixes, estão ameaçados pela pesca predatória e pela introdução de espécies exóticas – como nas criações do pescado”.
Por outro lado, o Brasil ainda registra números alarmantes de excluídos dos serviços públicos, considerados essenciais para o bem-estar da população. Apesar dos programas de universalização criados pelo governo, milhares de brasileiros ainda não sabem o que é ter luz e água – seja tratada ou não – dentro de casa. Telefone e coleta de esgoto são serviços que nem passam pela cabeça dessas famílias, que, muitas vezes, não têm nem banheiro em suas residências. De acordo com um levantamento feito pela Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), 95 milhões de pessoas não têm coleta de esgoto de forma adequada no País, 35 milhões vivem sem abastecimento de água, 6 milhões não têm luz elétrica e 53 milhões estão excluídos dos serviços de telefonia. O trabalho foi feito com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PN-DA), referente ao ano de 2005 e lançada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Diante de constatações extremamente prejudiciais à qualidade de vida do ser humano, o consumo consciente de água é uma preocupação que deve ser constante, uma cultura que deve ser firmemente incutida no comportamento social, até mesmo como atitude preventiva contra um colapso de abastecimento que a cada dia se mostra mais factível. Como muito bem destacou editorial do jornal “O Correio Popular”, “em regiões onde os rios parecem abundantes e os sistemas de distribuição atingem a grande maioria da população, torna-se difícil para as pessoas comuns dimensionarem a gravidade do problema, sendo bastante comuns os abusos, o desperdício e o descaso com as dificuldades e custos para se obter água em quantidade compatível com o consumo e a necessidade. Somente situações críticas e a cobrança de taxas de serviços elevadas despertam o interesse pela racionalização” e conclui: “Todas as ações possíveis assumem caráter de prioridade, desde a preservação dos mananciais e maior eficiência no sistema de captação, tratamento, distribuição e consumo, tendo em vista a necessidade de garantir o futuro do abastecimento, ganhar tempo para medidas conciliadoras e exploratórias, e em respeito à população que tem a água como um bem extremamente raro” (A2- 01/03/2009 – O consumo consciente de água tratada”).
*JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.
*Autorizada a reprodução desde que indicados o nome do autor e as fontes eventualmente indicadas no artigo.
O Dia Mundial da Água, 22 de março, constitui-se numa excelente oportunidade para refletirmos sobre o seu consumo consciente, até mesmo como atitude preventiva contra um colapso de abastecimento que a cada dia se mostra mais factível.
Exposição em São Paulo alerta
sobre a escassez da água.
Em homenagem ao DIA MUNDIAL DA ÁGUA, instituído pela ONU e a ser comemorado a 22 de março, está acontecendo de 10 a 31 deste mês na Estação Sé do Metrô de São Paulo, a exposição “ACQUA ÁGUAS AGUADAS AQUARELAS”. Participam da mostra, os seguintes artistas: Cassiano Pereira Nunes, Eliane Consol, Fátima Lourenço, Graciela Wakizaka, Ivone Beltran, Lilian Arbex, Maria José Casttelar, a jundiaiense Maria Lúcia Panizza, Maria Regina Pereira, Marina Martinelli, Marines Takano, Sérgio Gregório, Setsuko Katayama, Sílvia Raso, Suely Castro Mello, Vera Ferro e Zilá Troper que apresentam trabalhos inéditos, unidos por intenções comuns, ou seja, mostrar sua arte e cooperar no alerta sobre a premência de cuidarmos dessa riqueza. A curatela é de Antonio Carlos Abdalla, o projeto de Fátima Lourenço, que também divide a produção com Marines Takano. Trata-se de um evento de suma importância, pois além de seus objetivos primordiais, facilita o acesso de todas as camadas populares a uma das mais belas técnicas das Artes Plásticas.
Belo quadro de Maria Lúcia Panizza exposto em São Paulo